(english below)
Sábado, dia 18 de abril de 2026. 16h30. Ponto de encontro: restaurante Nuova Mirabella, Alt-Tempelhof, Berlim. Destino: Kinky Taboos: Berlin After Dark. Acompanhante: Jeff Mannes.
Nossa sexualidade tem tantas camadas que, talvez, nunca conseguiremos entender todas as nuances de nossos desejos. No entanto, uma coisa é certa: explorá-las é um caminho de autodescoberta e de entendimento do que respeito e consentimento significam de fato. Mas voltemos um pouco no tempo, antes da minha chegada em Berlim. Ainda no Brasil, o Rodrigo – que já morou em Berlim – me deu várias dicas de onde ir, do que fazer quando aqui chegasse. Uma delas foi conhecer o Jeff e fazer um de seus tours pela história da sexualidade em Berlim. Imediatamente, procurei mais informações sobre e entrei em contato com ele para trocarmos umas ideias e também se ele toparia ser entrevistado por mim para a minha pesquisa de doutorado. Jeff foi extremamente receptivo e, depois que eu cheguei em Berlim, nos encontramos e tive a oportunidade não apenas de entrevistá-lo, mas também conhecer um pouco mais sobre a cena Club de Berlim e a profunda relação da música com a sexualidade e como uma provoca a outra. Espaços como Berghain, Kit Kat, Lab.Oratory, Bunker, Eldorado, Metropol e muitos outros contribuíram / têm contribuído para uma Berlim mais receptiva às questões da sexualidade e de nossos desejos.
E o trabalho que o Jeff desenvolve, ao meu ver, é fundamental para a disseminação desta cultura de positividade com a sexualidade. Geralmente, somos criados em espaços de repressão quando o assunto é nossas sexualidades, associando-as ao pecado, ao negativo, ao proibido. Somos educados a escondermos nossos desejos. Algo que, diria, é impossível. Nós somos nossos desejos e quando não os vivenciamos, nos tornamos pessoas infelizes, depressivas e, inclusive, violentas, propagadoras de ódios e preconceitos.
Assim, conhecer a história da sexualidade de Berlim é transitar por momentos ímpares de conquistas, mas também de perdas, por exemplo, quando o Eldorado Cabaret foi fechado pelo nazismo durante a segunda guerra. No entanto, o pós-guerra trouxe também uma efervescência, principalmente, após a queda do muro de Berlim que fez desta cidade o que é hoje com tantos espaços que celebram não apenas a sexualidade, mas a diversidade.
Ontem, durante o tour com o Jeff, tive a oportunidade de conhecer três novos espaços: Insomnia Club, Atrium Dominatrix & Bizarre Studio and Fetish Clinic Berlin. Todos eles são abertos a qualquer pessoa, independentemente de gênero, sexualidade, identidade, raça. No entanto, alguns pontos precisam ser enfatizados. [1] preconceitos e julgamentos não são bem-vindos. São lugares para vivenciar desejos e fetiches de forma livre. Não vá se sua mente ainda está sob uma normatização hetero patriarcal. Deixe seus preconceitos do lado de fora e se abra para um mundo de possibilidades. [2] deixar as heteronormatividades do lado de fora não significa que não há regras a serem seguidas. Lembre-se: o que acontece nestes lugares é baseado em dois pilares essenciais: consentimento e respeito. [3] leia sobre os espaços antes de ir. Entenda sobre as regras de conduta e vestimentas. Não é um passeio no parque numa tarde de domingo. [4] Converse, pergunte, peça permissão.
Dito isto, também preciso dizer que mesmo sendo espaços inclusivos, os três requerem um certo poder aquisitivo. A estética BDSM/fetichista é cara. O couro. O látex. As cordas. A máscara. A algema. O chicote. O rabo. A bota. A luva. O cap. O charuto. E tudo mais que torna tudo isto único exige recursos. Não é a toa que muitos dos clientes destes espaços são pessoas com poder aquisitivo, do mundo corporativo e, ironicamente, homens casados que, por trás de suas vidas conservadoras, se entregam aos fetiches.
No entanto, a livre prática da nossa sexualidade não é sobre espaços, é sobre nós mesmos nos permitirmos liberar nossos desejos, nossos fetiches, seja em lugares como os já mencionados seja em cruisings, clubs, festas, saunas e, inclusive, em nossas próprias casas. Use a criatividade. Se você quebrar algumas barreiras próprias e se abrir para este novo mundo, você pode descobrir sentimentos sobre si que te farão, talvez, pessoas mais leves e alegres.
Jeff, obrigado pelo conhecimento e pela troca de ontem. Aprender é uma das maiores dádivas que podemos levar. Obrigado também ao Jan, a TS Miss Malice, a Fox e ao Mr. Corn.
Sexuality-Positive
Saturday, April 18, 2026. 4h30 pm. Meeting place: Nuova Mirabella restaurant, Alt-Tempelhof, Berlin. Destination: Kinky Taboos: Berlin After Dark. Companion: Jeff Mannes.
Our sexuality has so many layers that we may never fully grasp all the nuances of our desires. However, one thing is certain: exploring them is a path to self-discovery and to understanding what respect and consent truly mean. But let’s rewind a bit, to before I arrived in Berlin. While I was still in Brazil, Rodrigo—who had previously lived in Berlin—gave me several tips on where to go and what to do once I arrived here. One of them was to meet Jeff and take one of his tours on the history of sexuality in Berlin. I immediately looked for more information about him and got in touch to exchange ideas and ask if he’d be willing to be interviewed for my doctoral research. Jeff was extremely receptive, and after I arrived in Berlin, we met, and I had the opportunity not only to interview him but also to learn a little more about Berlin’s club scene and the deep relationship between music and sexuality—and how one provokes the other. Venues like Berghain, Kit Kat, Lab.Oratory, Bunker, Eldorado, Metropol, and many others have contributed to a Berlin that is more open to issues of sexuality and our desires.
And the work that Jeff does, in my view, is essential for spreading this culture of positivity around sexuality. Generally, we are raised in environments of repression when it comes to our sexuality, associating it with sin, negativity, and the forbidden. We are taught to hide our desires—something that, I would say, is impossible. We are our desires, and when we do not live them out, we become unhappy, depressed, and even violent people, spreading hatred and prejudice.
Thus, exploring the history of sexuality in Berlin means journeying through unique moments of triumph, but also of loss—for example, when the Eldorado Cabaret was shut down by the Nazis during World War II. However, the postwar period also brought a period of effervescence, especially after the fall of the Berlin Wall, which made this city what it is today, with so many spaces that celebrate not only sexuality but also diversity.
Yesterday, during the tour with Jeff, I had the opportunity to visit three new venues: Insomnia Club, Atrium Dominatrix & Bizarre Studio, and Fetish Clinic Berlin. All of them are open to anyone, regardless of gender, sexuality, identity, or race. However, a few points need to be emphasized. [1] Prejudice and judgment are not welcome. These are places to freely explore desires and fetishes. Don’t go if your mindset is still bound by heteropatriarchal norms. Leave your prejudices at the door and open yourself up to a world of possibilities. [2] Leaving heteronormativity at the door doesn’t mean there are no rules to follow. Remember: what happens in these places is based on two essential pillars: consent and respect. [3] Read up on the venues before you go. Understand the rules of conduct and dress code. It’s not a stroll in the park on a Sunday afternoon. [4] Talk, ask questions, and ask for permission.
That said, I also need to point out that even though these are inclusive spaces, all three require a certain level of purchasing power. The BDSM/fetish aesthetic is expensive. The leather. The latex. The ropes. The mask. The handcuffs. The whip. The tail. The boot. The glove. The cap. The cigar. And everything else that makes all of this unique requires resources. It’s no wonder that many of the clients of these spaces are people with purchasing power, from the corporate world, and, ironically, married men who, behind their conservative lives, indulge in fetishes.
However, the free expression of our sexuality isn’t about physical spaces; it’s about allowing ourselves to unleash our desires and fetishes—whether in places like those already mentioned, or at cruising spots, clubs, parties, saunas, and even in our own homes. Be creative. If you break down some of your own barriers and open yourself up to this new world, you may discover feelings about yourself that will make you, perhaps, lighter and happier people.
Jeff, thanks for sharing your knowledge and for the discussion yesterday. Learning is one of the greatest gifts we can receive. Thanks also to Jan, TS Miss Malice, Fox, and Mr. Corn.
Fotos por/Photos by Chris, The Red
Berlim, Alemanha – Berlin, Germany
2026














































